A investigadora Ana Margarida Esteves publicou o capítulo “Eros Unredeemed: Post-patriarchal Soft Power and Inclusivity in the Tamera and Monte Verità Communities”, integrado no livro The Social Architecture of Green Communities.

Neste capítulo, a investigadora desenvolve uma análise histórico-comparativa de duas comunidades ecológicas intencionais: Tamera, fundada em Portugal em 1994, e Monte Verità, uma experiência comunitária pioneira na Suíça que esteve ativa entre 1900 e 1926. Através de investigação etnográfica e documental, o estudo explora a forma como a inovação cultural pode funcionar enquanto forma de “soft power”, ou poder de influência baseado na atração, na criação de visões alternativas de sociedade e na capacidade de mobilizar apoios e recursos.

Partindo e expandindo o conceito de soft power, o capítulo introduz a noção de “post-patriarchal soft power”, entendida como uma modalidade de influência assente em práticas incorporadas, no carisma ético e na contestação estética dos modelos dominantes da modernidade industrial. A análise evidencia como ambas as comunidades recorreram a ideais de regeneração ecológica, transparência emocional e libertação sexual para construir legitimidade e projetar o seu impacto social, frequentemente em contextos marcados pela ausência de apoio institucional.

O trabalho destaca, contudo, uma tensão central destes projetos transformadores. Apesar do seu potencial inovador e inspirador, os mecanismos que sustentam a sua capacidade de atração podem também gerar processos de exclusão. A investigação demonstra que a participação tende a favorecer indivíduos com maior mobilidade cultural e segurança económica, enquanto barreiras linguísticas e períodos de integração exigentes limitam o acesso de grupos socialmente menos privilegiados.

O capítulo conclui que, sem estratégias institucionalmente apoiadas que promovam uma participação mais diversificada, experiências comunitárias de carácter contra-hegemónico correm o risco de se afirmarem como referências simbólicas de mudança social e ecológica, mas permanecerem enclaves socialmente seletivos.

O capítulo encontra-se disponível em acesso aberto através da editora Taylor & Francis.