Do Índico ao Atlântico, por Cátia Miriam Costa

 

Do Índico ao Atlântico

 

Contudo, o que se deve destacar deste evento, é exatamente a continuidade desse encontro científico, económico e cultural que acontece desde há séculos. Apesar de por vezes esquecido, o ensino superior pode constituir uma excelente fonte de exportações, nomeadamente, através da receção de alunos que queiram juntar-se às academias portuguesas para fazer os seus estudos.

Parece-me, todavia, que este reencontro poderá constituir mais do que isso. Pode antecipar um modelo de entendimento entre Portugal e os povos com quem historicamente lidou e que, neste momento, apresentam números para o crescimento económico bem mais animadores que os nacionais. Um dos elementos sublinhados foi a diferente lógica de ensino que o India Institute of Technology of Gandhinagar utiliza e que foi transmitido no intercâmbio à universidade portuguesa. Significa que a comunicação e a experiência comum são essenciais para o desenvolvimento de projetos frutíferos. Preparar quadros em conjunto é importante. Exportar internamente através da atração de estudantes estrangeiros também. Mas, criar relações científicas, tecnológicas e intelectuais precoces pode conduzir a projetos de negócio conjuntos, fazendo a ponte entre estes dois oceanos.

É esta tradição de entendimento e de busca de espaços comuns e frutíferos para todos que a economia portuguesa terá de procurar. As heranças comuns e os valores partilhados poderão contribuir para um maior sucesso. No caso indiano, a longa história que liga Portugal à Índia e que criou raízes culturais é, sem dúvida, um incentivo a quem quiser arriscar nestes caminhos. E é interessante que haja uma vontade recíproca de o fazer, pois desta vez foi o Índico que veio até ao Atlântico e não o contrário. É neste quadro de relações igualitárias e reciprocamente atrativas que os empreendedores de ambos países poderão e deverão explorar.

Agora que reinventar a tradição está na moda, seja na culinária ou nas indústrias criativas, por que não aplicar o mesmo conceito a outras áreas? Por que não reinventar as relações económicas com base em conhecimentos que a tradição e cultura, já mestiçada por diferentes oceanos e continentes, permite? Pode ser uma oportunidade, já que ser criativo é também aproveitar aquilo que uma longa história intercultural nos deu ao longo dos séculos. O interesse da Índia em Portugal aumenta e disso é também testemunho a vontade manifestada pelo Estado de Goa de se constituir enquanto elemento observador da CPLP (Comunidade Países de Língua Portuguesa). Está nas nossas mãos dar seguimento às boas perspetivas que de momento se apresentam.

 

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