Research Team

Virginia Trigo, Ana Célia Calapez Gomes, Anita Spring, Catherine de LaRobertie, Rafica Abdul Razac, João, Paulo Feijó Barreira, Zao Di, Xu Luodan, Leila Andrade, Sofia da Graça Cordeiro Fernandes

Keywords

comparative management, China, Africa, management practices

Abstract

A África em geral e alguns países africanos de lingua oficial portuguesa (PALOPs) em particular têm vindo a aumentar a sua importância estratégica junto das empresas ocidentais mas também, mais recentemente, das chinesas. Enquanto a presença ocidental é estudada desde há muito, a crescente influência da China no continente africano tem sido relativamente negligenciada no meio académico. O discurso oficial chinês releva a longa história de amizade com a África que remonta ao século XIV quando o navegador Zheng De visitou a costa oriental africana, mas foi apenas após a Conferência de Bandung em 1955, quando os “cinco princípios de coexistência pacífica” foram declarados, que a China começou a fazer sentir de uma forma mais eficaz a sua influência. É evidente que a China vê a África como um parceiro estratégico essencial ao prosseguimento dos seus objectivos económicos e geopolíticos e, com um pé num mundo em desenvolvimento e o outro no mundo desenvolvido, a sua posição é sem dúvida privilegiada. As transacções comerciais entre a China e a África aumentaram de US$ 2,64 biliões em 1994 para US$ 39,7 biliões em 2005 (China Daily, 06-08-16) e crescem a uma taxa superior à do comércio da China com o resto do mundo.

Mas a China vai além das meras transacções comerciais ou da procura de activos essenciais como o petróleo e está já a ganhar posição em empresas africanas. A um nível micro, não apenas o governo chinês está a apoiar a entrada das empresas estatais em África como também os empresários privados estão a suplantar, a uma velocidade inimaginável, os pequenos comerciantes e produtores locais nas ruas das cidades africanas. A China é já o terceiro maior investidor no continente. O nosso estudo foca precisamente o impacto deste unilateralismo na paisagem empresarial africana com consequências para a região e para o mundo. Estudaremos em particular os casos de Angola, Cabo Verde e Moçambique, os três PALOPs onde este fenómeno é mais significativo orientados pelas seguintes perguntas: quais as características das configurações empresariais africanas? E das chinesas? Qual poderá ser o impacto da esmagadora presença de empreendedores chineses nas configurações empresariais dos PALOPs estudados, com as suas práticas e filosofia de gestão próprias, estilo de liderança e orientação empreendedora? E, mais importante ainda, dado o notável crescimento da RPC, devido em parte à capacidade dos seus empreendedores, o que poderão os PALOPs aprender com a China? Finalmente, o que poderão Portugal, a Europa e o Ocidente aprender com a subtileza do padrão de relações que se está construindo, a nível empresarial, entre a China e a África e os PALOPs estudados em particular? O problema a abordar é o que resulta do vazio na compreensão e consciencialização da especiosidade do impacto do empresarialismo chinês na paisagem empresarial africana e na aprendizagem que daí poderá advir.

A crescente influência da China em África não deixa de atrair a atenção de muitos analistas mas o modus operandi específico de empreendedores locais e chineses, actores essenciais deste fenómeno, não terá sido ainda profundamente estudado. A ausência de investigação nesta área, a que se junta a inegável importância do assunto a nível mundial, motivou o nosso projecto. Mas foi também a possibilidade de capitalizarmos: (i) o conhecimento colectivo acumulado por Portugal ao longo de séculos de interacção entre a África e a Ásia; (ii) a circunstância excepcional de reunirmos um grupo de investigadores e consultores portugueses com larga experiência da envolvente africana e chinesa; (iii) um grupo de académicos estrangeiros e de investigadores nos países a estudar, incluindo a China. O nosso estudo será de utilidade para as decisões empresariais e políticas mas também para todos os interessados num dos acontecimentos mais notáveis deste princípio de século: a entrada em cena de uma China que procura alimentar o seu desenvolvimento económico mas que, em consequência, poderá também projectar o desenvolvimento económico africano.

Considerando os objectivos desta pesquisa e a sua natureza exploratória seguiremos o método do “estudo de caso” para melhor se entenderem as questões essenciais subjacentes à investigação. Estudaremos duas empresas locais em cada um dos quatro países estudados e ainda duas empresas chinesas a operar nos PALOPs em questão. Estas empresas, já sinalizadas, são organizações de sucesso e, como tal, paradigmáticas. O modelo conceptual em anexo servirá de base à nossa análise e ajudar-nos-á a revelar padrões subjacentes a práticas localmente observáveis. Utilizaremos software específico para a análise de conteúdo de documentos e de entrevistas individuais e de grupo. Poderão também ser utilizados métodos quantitativos. Neste tipo de pesquisa, o número de sujeitos a estudar é em geral reduzido a fim de permitir o nível de interacção necessário para se chegar a um verdadeiro entendimento do fenómeno em estudo. A equipa fará das discussões intergrupo parte integrante do processo de pesquisa através de conferências online.