Keywords

saúde materno-infantil, medicina tradicional, Felupe, Guiné-Bissau

Abstract

Trata-se de uma investigação em Estudos Africanos sobre saúde materno-infantil numa comunidade Felupe da Guiné-Bissau. Problematiza a relação entre a percepção das mulheres sobre a sua própria vulnerabilidade reprodutiva e o grau de eficácia das estratégias de saúde implementadas pelas políticas de ajuda ao desenvolvimento. As condições sociais e culturais das mulheres nas comunidades são apontadas como um dos factores que relacionam a percepção das mulheres africanas sobre os seus riscos na gravidez e pós parto. Tem-se observado que as mulheres grávidas se afastam ou não procuram os frágeis sistemas de saúde criados pelo Estado. Como recurso alternativo à biomedicina, buscam sistemas alternativos ancorados nas medicinas tradicionais, saberes e práticas da comunidade, contribuindo para um fenómeno de isolamento da mulher e das crianças. Os processos criados pelas políticas públicas, com apoio das organizações de ajuda ao desenvolvimento têm vindo a fracassar nos objectivos de assegurar a protecção da mulher grávida nos programas de saúde. A investigação procura modos de diálogo e inclusão das mulheres nos processos de saúde materno-infantil.