A Europa e os votos, por Cátia Miriam Costa

 

Oje – O jornal económico

 

A Europa e os votos

 

A Europa foi, no passado domingo, a votos. Ao escrutínio para o Parlamento Europeu juntou-se a eleição para a presidência ucraniana. Ambas as votações são essenciais para o delinear da política de todo um continente.

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No rescaldo das duas eleições, surgem as primeiras conclusões: os mercados financeiros reagiram positivamente aos resultados, houve partidos vencedores e vencidos e o processo eleitoral deixou de fora, por abstenção, impossibilidade de votar ou boicote, várias camadas da população. Isto significa que os resultados destas eleições são mais económicos e partidários do que políticos em termos de participação da sociedade civil.

Será que os europeus se identificam com este projeto de União Europeia (UE)? Será que esta foi a melhor forma de escrutínio para a situação atual na Ucrânia? Nas eleições de âmbito europeu, proliferaram as leituras nacionais dos resultados. A direita ganha no Parlamento Europeu, mas perde a folga vinda das eleições anteriores. Os partidos eurocéticos ganham terreno tal como a extrema-direita sobe. A abstenção foi o grande vencedor nos vários países. Na Ucrânia, Pyotr Poroshenko declarou-se vencedor com 60% dos votos apurados, decerto dada a distância entre a percentagem a si atribuída (53,72%) e à segunda candidata, Yulia Tymoshenko (13,09%). Algumas regiões não votaram e o país mantém-se em alerta.

Em Portugal, tal como em outros países da UE, como, por exemplo, a França, foram as questões caseiras que animaram o debate. O Partido Socialista ganha as eleições, elegendo sete deputados; a surpresa é o Movimento Partido da Terra, com um deputado, e o mais votado dos que não elegem qualquer deputado é o LIVRE, partido recentemente constituído. Apenas 33,90% dos portugueses votaram. As eleições da Ucrânia apareceram de forma distante nos meios de comunicação social portugueses e nunca relacionadas com o que se decide sobre os destinos da UE.

No entanto, existe uma relação direta entre a UE e a Ucrânia. Qualquer que seja o resultado das contendas políticas e económicas, as geografias, as relações políticas e económicas não mudam facilmente. Tampouco os problemas entre comunidades, partilhando um mesmo espaço político, se resolvem com um simples ato eleitoral. Está na hora de a Europa se ver como um todo e refletir todos os elementos que contribuem para um conflito latente naquela parte do continente. Da problemática energética aos alinhamentos políticos, da sobrevivência política e cultural à redistribuição da riqueza, é preciso entender onde estão as clivagens. Porque política e economia nunca estiveram tão perto.

No próximo dia 5 de junho, o ISCTE realiza a Conferência Internacional “Crise na Ucrânia: Reconfigurações que vêm de Leste” (http://iscte-iul.pt). Será uma oportunidade para trazer para agenda pública o debate sobre a questão ucraniana e as suas consequências na política europeia já num quadro pós-eleitoral que trouxe mudanças a vários níveis. Porque, afinal, sob diferentes perspetivas, UE, Ucrânia e Federação da Rússia partilham um continente, alguns recursos e muitos interesses comuns. Os próximos tempos serão decisivos para reconfigurar os desafios que agora se apresentam.

 

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