O investigador do CEI Marcelo Moriconi é coautor do artigo científico Health and health-related behaviors in esports players: an international survey of playtime and nationality differences, recentemente publicado na revista Frontiers in Sports and Active Living.

O estudo analisa os indicadores de saúde e os comportamentos relacionados com a saúde de praticantes de e-sports, procurando compreender de que forma estes variam em função do tempo semanal dedicado ao jogo e da nacionalidade dos participantes. A investigação baseou-se num inquérito online realizado a 413 jogadores de e-sports de 48 nacionalidades, avaliando indicadores como o índice de massa corporal (IMC), a prática de atividade física, consumo de tabaco e álcool, os hábitos de sono, sintomas depressivos, a qualidade de vida relacionada com a saúde e o apoio social.

Os resultados revelam que os participantes apresentam um perfil de saúde mais equilibrado do que frequentemente se assume. Em média, o IMC situou-se dentro da faixa considerada saudável, o consumo de tabaco e álcool foi relativamente reduzido, os sintomas depressivos foram maioritariamente mínimos ou ligeiros e a duração média do sono foi de cerca de 8,2 horas por noite. No entanto, o estudo identificou que 38,3% dos participantes não atingiam os níveis recomendados de atividade física.

A análise demonstra ainda que o número de horas dedicadas aos e-sports por semana tem uma influência limitada na maioria dos indicadores de saúde. A única diferença significativa observada foi uma maior frequência de consumo de tabaco entre os jogadores que dedicam mais de 10 horas semanais aos e-sports. Em contrapartida, verificaram-se diferenças associadas à nacionalidade em aspetos como o IMC, o consumo de tabaco e álcool, a prática de atividade física e algumas dimensões da qualidade de vida relacionada com a saúde.

Os autores concluem que os resultados desafiam a ideia de que os jogadores de e-sports apresentam, de forma generalizada, um perfil de saúde negativo. Em vez disso, sugerem que as diferenças observadas são melhor explicadas pelas características dos diferentes grupos de jogadores e pelos contextos socioculturais do que pelo volume de tempo dedicado ao jogo. O estudo sublinha ainda a importância de desenvolver investigação longitudinal e intervenções que promovam uma participação saudável nos e-sports.

O artigo foi publicado na revista Frontiers in Sports and Active Living, na secção Sport Psychology, e está disponível em acesso aberto através do DOI: 10.3389/fspor.2026.1850349. Pode consultar o artigo aqui.