A África do Sul é provavelmente o país mais representativo da lógica de funcionamento global do sistema-mundo capitalista. Aí se encontram alguns dos mais elevados índices de desigualdade social e de criminalidade violenta, bem como, em coexistência precária, alguns dos maiores índices de desenvolvimento tecnológico assim como de exclusão social, de que é exemplo uma das mais graves incidências de SIDA, com cerca de 20% da população total infectada com o vírus HIV. No mesmo contexto, ali coexistem parcelas nacionais do “centro”, da “semiperiferia”, da “periferia” e da “arena externa”. O autor parte da premissa do carácter paradigmático, ou exemplar, da evolução histórica da África do Sul (em particular ao longo do século XX) como ilustração representativa da evolução do sistema capitalista, na sua necessária vertente expansionista, de âmbito planetário e a partir das suas origens europeias. Este livro procura, numa perspectiva pouco ortodoxa, explicar o trajecto histórico da comunidade nacional Africânder e o modo como os seus dirigentes mais cosmopolitas, aproveitando uma determinada “janela de oportunidade” proporcionada pela evolução da conjuntura política internacional, prepararam a transição para a democracia não-racial e a possibilidade da criação de uma nação “arco-íris”, na feliz expressão do Arcebispo Desmond Tutu.

Table of Contents

  1. Preâmbulo
  2. Problemática analítica
  3. Reflexões metodológicas
  4. Actores Sociais, tempo e racionalidade
  5. Sistema-mundo e globalização
  6. A teoria da empresa e a motivação do lucro
  7. O caso da África do Sul: Breve enquadramento histórico
  8. Da natureza do capitalismo sul-africano, ou da dependência do ouro às explicações do apartheid
  9. Economia política da África do Sul, ou a evolução das relações entre o capital africânder e o capital inglês
  10. Reflexões finais

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