Neste primeiro encontro teremos a presença de praticantes cubanos, espanhóis e portugueses da chamada Regla Conga, ou Palo Monte, religião de matriz centro-africana extensamente praticada em toda a ilha de Cuba.
Com um estigma extremamente negativo, os praticantes desta religião em Cuba irão partilhar conosco o legado de uma religiosidade que evoca medo e preconceito, seja em Cuba, seja na diáspora. Com toda uma história de hierarquia construída desde meados do século XVIII e posteriormente reafirmada por políticos e mais tarde ainda por antropólogos, as heranças do universo centro africano são via de regra associadas à baixeza, impureza, maldade. Trataremos de desconstruir, em partes, estes conceitos, refletindo criticamente acerca destas posições e convidando o público a dialogar com fatos históricos e acontecimentos atuais de racismo religioso.
Neste encontro contaremos com a presença de Ralph Alpízar (Cuba/Espanha) e Papyto González (Cuba/Portugal)
Será exibido o documentário “Caboclos Nkisis – a territorialidade banto no Brasil e em Cuba” e ao final teremos uma pequena apresentação musical com os religiosos cubanos.
Ralph Alpízar é um cubano residente há muitos anos entre Portugal e Espanha. Jornalista e escritor
de culturas afro-caribenhas de origem Bacongo, faz pesquisas por muitos países da África e da América. Iniciado no Palo Monte e na Santería cubana há mais de 44 anos.
Papyto Gonzalez é um cubano residente em Portugal há mais de 15 anos. Fisioterapeuta, músico, iniciado no Palo Monte e na Santería cubana.

 

Sobre os encontros:

Nestes encontros discutiremos a presença das religiões de matriz negro-africana em Portugal, refletindo sobre o chamado mundo “afro ibérico”. Uma vez por mês teremos convidados representando uma das inúmeras religiosidades aqui presentes e um acadêmico para uma conversa com o público, logo após a apresentação de documentários pertinentes, abordando temas como intolerância, rituais, tabu, sacrifícios e estigmatização.
Sem um tempo determinado, as conversas terão sempre a duração de uma vela, que será acendida no início de cada “ritual”, finalizando o evento com a produção musical da religião abordada.

 

Parceria: Casa Independente, Associação Kazumba, Grupo EducAR