O estudo das religiões em África acarreta inúmeros desafios conceptuais e metodológicos, resultantes das formas multiversas como os campos religiosos na África Subsaariana se estruturam, bem como do caráter particularmente plástico dos, expeditamente chamados, sistemas religiosos autóctones ou locais. Fenómenos de permanente recomposição e recriação, que questionam e invocam problemáticas de «memória coletiva» e «tradição», «pertença» e «identidade», permitem pensar o alcance operatório de definições centrais, nas ciências sociais, no estudo das religiões. Processos de conversão (geralmente para religiões abraâmicas), duplas-pertenças e hibridismos, são dinamizadores destas sociedades de encontros, incitando o debate: de que formas os eventos híbridos, processos de conversão e duplas-pertenças alteram as dinâmicas sociais africanas? De que modo tais fenómenos questionam entendimentos locais de «tradição»? Quais os efeitos das duplas-pertenças na ordenação individual dos sujeitos, e de que modo tal fenómeno questiona noções de autenticidade, autoridade e verdade em cada segmento religioso? Quais os desafios metodológicos que tais casos acarretam para o estudo das religiões africanas ditas autóctones ou locais?