Ciclo de Conferências
Religiões Africanas, em África e na Diáspora


Declinando a identidade no candomblé baiano: contaminação e sensibilidade como modalidades complementares da interdição


Francesca Bassi
Universidade Federal da Bahia

14 de maio . 18h00 . Sala AA2.24 . ISCTE-IUL

No contexto do Candomblé de Bahia, notadamente de origem Jeje-Nagô, dois tipos de eficácias negativas são atribuídos aos elementos : uns sensibilizam e outros contaminam. Por um lado, o uso de certos elementos podem provocar reações negativas no filho-de-santo (alergia, intolerância alimentar); a partir destas sensibilidades, identidades ligadas às afiliações religiosas são descobertas ou confirmadas e proibições associadas aos diversos orixás são promulgadas. Por outro lado, um conjunto de entidades são responsáveis por estados de energia adulterados, o que manifesta-se geralmente com fadiga, depressão, formas de loucura, acidentes, doenças, perda de energia vital. Neste último caso há um perigo de perca de identidade, assim deve ser evitada a proximidade com objetos carregados das energias de alteridades contagiosas. Trata-se de interdições que interessam, de fato, de forma complementar, à ordem da identidade e ao princípio de individuação (Bastide, 1973). Sensibilização e contaminação são, no Candomblé, duas modalidades corporificadas de qualificar a eficácia de objetos e elementos, qualificando ao mesmo tempo humanos e não-humanos.

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