Palavras-chave

Populações rurais, Resiliência social, Guerra, Angola, Huíla

Resumo

Este trabalho analisa os aspectos relacionados com a Resiliência Social das Populações rurais da Humpata pertencentes ao grupo étnico muila na perspectiva de um país (Angola) assolado pela guerra durante vários anos e a forma como as populações procuraram encontrar soluções para superar as adversidades. Trata-se de um estudo focado na captação de certas dinâmicas empreendidas pelas populações rurais da Humpata para viabilizar a sua sobrevivência. O estudo analisa a presença de militares estrangeiros na Humpata nomeadamente as tropas cubanas (FAR), da Namíbia (SWAPO) e da África do Sul (ANC), tal como os deslocados de guerra cuja presença no território da Humpata constituiu um importante factor de perturbação social. São analisadas as formas de relacionamento entre esses militares e as populações locais bem como entre estas e os deslocados nomeadamente a influência recíproca verificada através das múltiplas trocas entretanto surgidas. O estudo privilegiou a pesquisa qualitativa combinando observação directa e participante, entrevistas dirigidas e semi-dirigidas, histórias de vida, análise bibliográfica e documental o que permitiu compreender, até certo ponto, como as sociedades rurais da Humpata em contexto de guerra prolongada puderam evitar fenómenos de anomia e desintegração sociais. Os diferentes constrangimentos produziram por vezes diferentes configurações. As populações rurais da Humpata procuraram, na interacção com os novos actores sociais, formas de maximizar as oportunidades oferecidas pelo contexto, que por vezes se afigurava tenso. A partir das teorias de Elias observou-se que os factores adversos conduziram a uma maior coesão social na defesa dos seus recursos e das suas famílias quando surgiram outros actores sociais nas suas localidades.