Resumo

A temática desta tese insere-se na problemática global das relações políticas tecidas no interior das sociedades islamizadas da África Subsariana e destas com o Estado e centra-se, entre outros aspectos, nas relações tecidas entre os “poderes” religiosos muçulmanos e os “poderes” linhageiros no seio das populações macua, em especial das populações macuas islamizadas (amakha) que vivem na região costeira de Nacala, província de Nampula, em Moçambique. O foco principal de análise foram as autoridades linhageiras – muwene/pwiamwene – e, encarnadas pela figura do dignitário político-religioso, as muçulmanas – sheikhs, xehes. Nesta tese, por um lado, pretendeu-se saber se, no contexto actual, o poder linhageiro e religioso se interceptam e, por outro lado, saber se em conjunto medeiam as relações entre populações e o Estado. Dito de outro modo, nesta tese pretendeu-se perceber que mecanismos e instrumentos detêm os poderes linhageiros e os poderes religiosos que lhes permitem, competindo entre si, apresentarem-se como interlocutores do Estado.