Keywords

Angola, Brasil, Portugal, Educação superior, Desenvolvimento Cooperação

Abstract

Os períodos colonial e pós-colonial deixaram marcas na trajetória educativa de Angola com repercussões na afirmação daquele país no cenário internacional e até regional o que tem levado, ao longo dos anos, à saída de estudantes angolanos para o exterior do país, em busca de melhores oportunidades educativas. Se durante o período da 1ª República essa saída contava com o apoio do Estado através da atribuição de bolsas de estudo, a partir da 2ª República, esse apoio passa a ser cada vez mais prestado pelas famílias que assumem a responsabilidade da prossecução das trajetórias educativas dos seus descendentes. Neste contexto, Portugal e Brasil surgem como países de destino para estes jovens que procuram mais e melhor formação. Pretendemos, com este estudo, analisar que condições políticas (protocolos de cooperação na área da educação) se estabeleceram nas últimas décadas entre Angola e estes países, o que levou à sua escolha pelos estudantes que desejaram prosseguir os estudos de nível superior, como se processou a sua permanência e inserção nessas sociedades de acolhimento, bem como quais os contextos de regresso a Angola depois de concluída essa formação. Em termos metodológicos, a pesquisa utiliza a metodologia qualitativa com recurso à observação direta e à técnica da entrevista para a recolha de dados e à análise de conteúdo. Os resultados esperados com a presente contribuição centram-se na análise e sistematização dos condicionalismos e potencialidades referentes aos processos de educação nos contextos em foco, visando contribuir, essencialmente, para o melhor entendimento quer das dinâmicas de formação nestes países quer das trajetórias face as ofertas formativas fora e dentro de Angola e das oportunidades que lhes são oferecidas aquando do seu regresso. Esse estudo visa ainda analisar o papel da pertença a redes sociais nas diferentes etapas deste processo de saída e regresso dos estudantes enquanto relações, de diversos tipos e intensidades, que contribuem para a construção de formas de independência social e cultural dentro e fora da academia, que se sobrepõem as próprios protocolos de cooperação celebrados entre os países.