A presente conjuntura de liberalização política a decorrer em Moçambique caracteriza-se pela (co)existência de imposições exógenas, levadas a cabo por instituições financeiras internacionais junto do Governo de Moçambique, e de pressões endógenas, exercidas por um conjunto de forças sociais e políticas que se mobilizam por uma irrestrita abertura da vida política de Moçambique à democracia representativa e participativa. Todavia, neste recente processo de (re)configuração política, ainda são (re)produzidas, as tensões originadas pela coabitação forçada entre duas lógicas legitimadoras procedentes de memórias sociais diferenciadas. Por um lado, a “construção” da legitimidade das Autoridades Tradicionais de Mandlakazi, fundamenta-se numa matriz política e cultural em que o sagrado e o político constituem um todo coerente e indissolúvel. Por outro, a legitimidade do Estado moçambicano baseia-se na observância de formalismos políticos, institucionais e constitucionais, originados num contexto histórico radicalmente distinto e que foram bruscamente instalados na sequência do processo da colonização portuguesa.

O presente livro, é um contributo analítico para a compreensão das tensões, dualidades, e (re)configurações políticas que permeiam a actual sociedade moçambicana.

[África em Perspectiva | Séries Monografia nº1]

Índice

Parte I Estado(s) e Autoridades Tradicionais em Moçambique nos contextos pré-colonial e colonial: para uma visão crítica global

Parte II – FRELIMO, RENAMO e Autoridades Tradicionais em Moçambique no contexto pós-colonial: os parâmetros de complexas conjunturas políticas

Parte III – Enquadramento histórico, étnico e político de Mandlakazi do Mfecane ao Estado de Gaza

Parte IV – A (re)construção histórica do(s) fenómeno(s) político(s) em Mandlakazi: da (re)invenção da tradição à (re)legitimação da modernidade

Edicao Digital