Palavras-chave

Pensamento social, Representações sociais, Cultura política, Estado, Tete - Moçambique, Colonização portuguesa, Processo de transição, Democracia, Eleições

Resumo

A investigação aborda o pensamento social sobre o político. A componente teórica estrutura-se em torno do conceito de representações sociais (Moscovici), associado aos conceitos de cultura política (Almond & Verba) e de estado (Weber; Bayart), bem como a uma definição precisa de objecto de atitude (Chaiken & Eagly). A ancoragem da pesquisa na realidade empírica fez-se na cidade de Tete (Moçambique), sendo que a componente essencial do trabalho de campo (2004) assentou em 61 entrevistas semi-estruturadas que visaram captar, nos discursos do senso comum, juízos valorativos (tendencialmente positivos ou negativos) de objectos políticos associados ao estado. O tratamento do material empírico permitiu analisar um conjunto de themata (Moscovici & Vignaux) dos discursos do senso comum através dos quais se revelam as representações sociais do macro-político em Moçambique. Esses themata remetem, respectivamente, para o período colonial (até 1974-1975); para o processo de transição para a independência (1974-1975); para a governação de Samora Machel (1975-1986); e para a governação de Joaquim Chissano (1986-2004). A investigação insere-se numa perspectiva epistemológica de tendência construtivista que recusa considerar o político como essência dada, mas antes aborda-o enquanto fenómeno social em permanente reelaboração. Desse modo, a produção do político só pode ser captada, na sua verdadeira essência, olhando para e a partir das respectivas sociedades. O estudo visa explicar como é que o senso comum pensa a política ou, dito em linguagem coloquial, analisa o que está na cabeça das pessoas comuns sobre política em Moçambique.