Resumo

Este projeto estuda as práticas coloniais espanholas em Marrocos e na Guiné Equatorial, com o objetivo de comparar o desenho e a implementação das políticas coloniais em ambos os contextos. A hipótese de trabalho é que as práticas coloniais nestes dois países apresentaram grande diferenças que não se explicam apenas através dos diferentes estatutos legais de protetorado ou colónia. A classificação e o estudo comparado das práticas coloniais nos dois principais territórios hispano-africanos vai permitir, por um lado, medir a distância existente entre políticas e práticas coloniais, dando novas respostas a debates inconclusivos e, por outro, identificar e compreender as marcas coloniais que as ditas práticas puderam imprimir nesses Estados após a independência.

O objetivo final do projecto é que as memórias de África acabem por proporcionar um puzzle de recordações do passado espanhol em África, demonstrando a existência de um património cultural imaterial hispano-africano. O tema é tanto mais relevante quanto se considera que, devido à colonização, não só muitos colonos regressaram a Espanha, como se proporcionaram condições para que cidadãos da África espanhola migrassem para Espanha, num caminho muitas vezes “sem passado” e em silêncio. Certo é que esta migração contribuiu para aumentar a diversidade das novas cidadanias espanhola e europeia, embora muitos se tivessem visto numa Espanha pouco sensível às suas especificidades. Em parte, devido à invisibilidade da história comum, mas também pela indiferença em relação ao passado africano espanhol.