Equipa

Eduardo Costa Dias, Vítor Lourenço, Victor Hugo Nicolau, Manuel Maria Braga, Fernando Florêncio, Margarida Moreira

Resumo

O processo de modernização política que actualmente se verifica em África tem conferido grande visibilidade e uma nova importância à questão do relacionamento entre as autoridades tradicionais e o Estado. Com efeito, e dada a persistência das autoridades tradicionais enquanto agentes de mediação entre o passado e o presente, o estado pós-colonial não pode hoje ignorar o papel dessas autoridades na arena política. Trata-se, assim, de um quadro relacional ambíguo e complexo: apesar de predominantemente baseado num aparelho político moderno, o Estado vê-se na contingência de tentar absorver as autoridades tradicionais, procurando deste modo beneficiar simultaneamente de factores de legitimação política “modernos” e “tradicionais”. As autoridades tradicionais, por outro lado, enquanto lutam pela manutenção do seu controlo sob as populações, procuram ao mesmo tempo capturar parte dos recursos do Estado e utilizá-los para manter padrões de dominação baseados na existência de redes familiares e clientelares alimentadas pela redistribuição de riqueza e de lugares de poder. Os objectivos deste projecto contemplam, assim, um tema de inegável importância: o locus das autoridades tradicionais enquanto instâncias de mediação entre o Estado e a sociedade local, e o seu potencial papel no processo de democratização em África.