Abstract

Esta investigação apresenta a música de São Tomé e Príncipe em dois contextos sociopolíticos diferentes: o colonialismo tardio e os primeiros anos da independência. Através da análise da relação das transformações da música com as mudanças sociopolíticas que ocorreram entre 1930 e 1990, o estudo foca, problematizando-as, as mutações identitárias dos habitantes do arquipélago, analisa a forma como a música traduz a situação das ilhas e o papel da música no processo de construção da nacionalidade santomense. A observação das dinâmicas culturais no território habitado por vários grupos socioculturais pretende verificar se a apartação desses grupos antes de 1975 e a posterior possibilidade de mobilidade e contacto diferenciou a forma de criar e/ou interpretar a música. O estudo de caso aqui apresentado é inserido no amplo contexto de diálogo no Atlântico Negro, contribuindo para a caracterização teórica dos processos de interacção intergrupal e das trocas culturais.