México: mais do que praias, chili e mariachis, por Cátia Miriam Costa

 

México: mais do que praias, chili e mariachis

 

Na primeira semana de junho, México e Portugal convergiram na realização de atividades de aproximação entre os empresários e investidores dos dois países.

 

Esta iniciativa iniciou-se com a publicação de um texto do Presidente dos Estados Unidos do México, Enrique Peña Nieto, na imprensa portuguesa, prosseguiu com a sua visita ao nosso país, e terminou com a assinatura de vários protocolos de cooperação.

O Seminário “Oportunidades de Negócio México – Portugal” refletiu as boas relações entre ambos Estados e um ambiente cordial e descontraído. A estratégia de aproximação do México ao tecido empresarial português foi irrepreensível do ponto de vista do que deve constituir uma visita oficial programada com fins económicos. Preocupou-se com o impacto mediático e com a demonstração de uma imagem positiva do país. Apresentou os dados sobre o presente, em que o México é a 14.ª economia mundial em termos de grandeza, mas também os do futuro. Mostrou projeções para 2015 que dão como certo que o México será a 6.ª economia mundial. Fez questão de reforçar que o seu caminho foi ascendente em termos de representação da tecnologia na economia.

Do mesmo modo, colocou ênfase na elevada preparação dos seus recursos humanos.  A delegação do México apresentou aos empresários portugueses um país moderno, pujante na sua economia, e com posições de liderança na indústria automóvel e aeroespacial, nas tecnologias da informação e na eletrónica. Apesar de dois pequenos filmes, parte de uma campanha publicitária a estimular o turismo, esse não foi o assunto de que as autoridades e instituições mexicanas quiseram falar. Eles vieram a Portugal dizer que o México é muito mais do que o país do chili, dos mariachis e das praias de sonho. Deram a conhecer um país competitivo e uma economia em crescimento, de que o exótico não é parte. Quiseram desfazer ideias pré-concebidas e procurar parcerias vantajosas.

Infelizmente, do lado anfitrião e apesar dos discursos hábeis do vice Primeiro-ministro, Paulo Portas, e do Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, a apresentação oficial constituiu, contudo, um discurso virado para o passadismo. Apresentou-se Portugal como um país em recuperação, como se estivesse doente. As vantagens competitivas anunciadas foram o abaixamento da taxa do IRC e a flexibilização da mão-de-obra.

A diferença entre estas perspetivas é que o México falou realmente das suas mais-valias, enquanto Portugal falou das suas fragilidades. Portugal centrado no passado e o México a fazer o discurso do futuro. Era o acanhamento de sonhar e prosperar face à promessa de crescer e mostrar de que se é capaz. Afinal, retomando a ideia de uma Europa envelhecida e de um novo mundo que se rejuvenesce.

Portugal e os bons profissionais do Portugal Global que prepararam todo este evento merecem mais do que ser apresentados como um país de baixos custos. Portugal é também um país de altos ganhos, com recursos humanos preparados e criação tecnológica relevante.

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